Nesta quinta-feira (10) a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) iniciou a operação policial Iustitia Victis.
A ação ocorreu por meio da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), com o objetivo de desmontar uma organização criminosa dedicada a práticas constantes dos crimes de usura, extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa armada.
De acordo com as investigações, um comerciante de 68 anos, estabelecido na Feira dos Goianos, em Taguatinga, adquiriu diversos empréstimos com agiotas brasileiros e colombianos, sujeitando-se ao pagamento de juros superiores a 20% ao mês.
Em meio às pressões para a quitação da dívidas, o homem tirou a própria vida em sua banca comercial, na madrugada de 21 de março de 2025.
Devido a sua condição de semianalfabeto, o lojista contratava os empréstimos através de mensagens de áudio encaminhadas pelo aparelho celular de sua filha. Além disso, a conta bancária dela também era utilizada para o recebimento e o pagamento das parcelas.
Cobranças aos familiares
Após o falecimento do comerciante, as cobranças começaram a ser direcionadas aos familiares do mesmo.
Segundo informações, as exigências foram acompanhadas de graves ameaças relacionadas ao emprego de violência, envio de fotos do antigo endereço da família e comparecimento dos criminosos ao local. Diante do medo, os familiares optaram pela mudança do imóvel em que residiam.
Fases da operação
A polícia constatou a existência de dois núcleos criminosos distintos e independentes.
A primeira fase da operação, iniciada em 2025, focou no primeiro grupo, composto por cidadãos colombianos.
Já a fase atual, concentrou uma organização criminosa formada por brasileiros. O grupo, especializado na concessão de empréstimos com juros abusivos e na realização de cobranças diárias, atuava no Distrito Federal e nos estados de Goiás e Tocantins.
A investigação revelou, em tese, uma estrutura estável e hierarquizada com divisão de tarefas. Dessa maneira, líderes, gestores financeiros, cobradores e integrantes responsáveis por intimidação, transporte, apoio logístico e ocultação patrimonial compunham o grupo.
Análise de dados bancários, perícia em aparelho celular, imagens de câmeras de segurança, campanas, oitivas e exame de planilhas de cobrança foram essenciais no trabalho dos policiais.
Itens apreendidos
A investigação resultou na apreensão de:
- Cartões de divulgação de empréstimos rápidos;
- Listas de devedores organizadas por rotas e cidades;
- Registros de cobranças;
- Documentos
- Diversas armas de fogo e munições
- Veículos de alto luxo utilizados pelos investigados.
Além dos itens apreendidos, a análise financeira identificou pagamentos periódicos compatíveis com empréstimos a juros, circulação de recursos entre os investigados e utilização de contas de familiares, terceiros e pessoas jurídicas.
Com isso, somente no período de 1º de janeiro a 29 de agosto de 2025, as contas examinadas receberam créditos no total de R$ 10.178.544,79.
Ao todo, foram deferidas 47 ordens judiciais, cumpridas no decorrer de quinta-feira (10), compreendendo:
- 12 prisões preventivas,
- 18 buscas e apreensões e
- 17 bloqueios de ativos financeiros.
As medidas patrimoniais alcançam 14 pessoas físicas e três empresas, observado o limite global de R$ 10.178.544,79. As respectivas contas tiveram os valores bloqueados no decorrer do dia.
Atuação da Polícia
A Polícia Civil do Distrito Federal atuou juntamente com as equipes das Polícias Civis de Tocantins e Goiás, visto que as buscas abrangeram residências, estabelecimentos comerciais, propriedade rural e outros endereços localizados em Palmas e Araguaína, no Tocantins, e em Formoso, Goiânia e Senador Canedo, em Goiás.
Por fim, os investigados poderão responder pelos crimes de usura extorsão, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro.
Além disso, as investigações seguem para cumprir com o objetivo de individualizar as condutas, identificar outras vítimas e integrantes, aprofundar a análise financeira e localizar outros bens relacionados às atividades criminosas.
Das 47 ordens judiciais expedidas, apenas uma prisão preventiva não foi cumprida, em razão de a investigada não ter sido localizada.
*Com informações da PCDF.
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