Paciente supera quadro grave e reaprende a falar e andar após internação no HRT
Após mais de um ano de internação e um quadro clínico grave, Adriano Veras Sousa, 39 anos, reconstrói a própria rotina com o apoio da família e de profissionais de saúde. Durante meses, ele permaneceu consciente, mas não conseguiu falar, andar, comer ou beber água enquanto ficou internado no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Agora, com o suporte dos familiares e, além disso, de servidores da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), Adriano reaprende a falar, a se alimentar sozinho e dá os primeiros passos.
“Fiquei mais de um ano sem tomar banho de chuveiro. Sabe como é boa aquela água vindo? Passei a valorizar cada pequena coisa”, relata.
Quadro grave e longa internação
A trajetória do motorista é marcada por desafios. Inicialmente, após passar 12 dias com o intestino preso, ele procurou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Samambaia, e a equipe o encaminhou ao HRT para uma cirurgia de desobstrução. No entanto, o quadro clínico piorou de forma inesperada.
Em seguida, Adriano perdeu gradualmente os movimentos e precisou passar por uma traqueostomia para respirar. Sem conseguir mover o corpo abaixo do pescoço, ele ainda sofreu paradas cardiorrespiratórias e edema cerebral. O caso ocorreu em outubro de 2024, quando ele tinha 37 anos.
Ao acordar, Adriano percebeu as limitações. Ele passou a se comunicar apenas por ruídos, o que permitiu, assim, que a equipe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) entendesse suas necessidades básicas.
“Eu pensava na minha mãe. Na minha esposa. No meu filho. Eu pensava em como eu iria jogar bola com ele de novo. Pensava nas pessoas que me esperavam do lado de fora. Eu queria pedir perdão se eu tivesse feito alguma coisa de errado. Mas eu sabia que iria voltar. Eu não podia morrer e deixar meu filho sozinho”, conta emocionado.
Pequenas conquistas e reencontros
Com o passar dos meses, Adriano conquistou pequenas evoluções. Ele voltou a se alimentar com comida pastosa, retomou cuidados com a barba e o cabelo com ajuda da equipe e recuperou hábitos simples do dia a dia. Posteriormente, em março, ele recebeu a visita do filho, João Miguel, então com dez anos. O menino levou uma novidade: a vitória do Flamengo sobre o Vasco.
“Eu nem lembro o placar. Eu sei que a gente ganhou. Eu contei para ele. E nós começamos a rir”, lembra o menino. (À época, o Flamengo havia vencido o Vasco da Gama por 2×1, de virada, pela semifinal do Campeonato Carioca, em partida disputada em 8 de março de 2025).
Atualmente, quem vê Adriano não imagina o estado em que ele estava há pouco mais de um ano. A fala está praticamente normal e, mesmo com limitações, ele já realiza atividades do dia a dia.
“É gratificante. Eu tenho gratidão aos profissionais que me ajudaram”, afirma.
Reabilitação e investigação continuam
Hoje, a equipe de saúde acompanha Adriano em duas frentes. De um lado, no Hospital de Apoio de Brasília (HAB), profissionais investigam possíveis doenças genéticas ou autoimunes que possam ter causado o quadro clínico. Ao mesmo tempo, ele segue em reabilitação na Policlínica de Taguatinga.
Morador de Samambaia, Adriano conta com o apoio constante da família, pai, mãe, irmão, esposa e filho, em todas as etapas do tratamento. Além disso, os resultados surpreendem até a equipe médica. Um exame de eletroneuromiografia indicou baixa capacidade de ativação muscular, principalmente nas pernas. Ainda assim, Adriano evolui.
“O exame mostrou que ele não tem nada de força e de movimentação, principalmente nas pernas. E então, por incrível que pareça, o Adriano foi ganhando força, apesar de o exame dele continuar a mostrar uma capacidade de ativação muscular muito ruim. Há aproximadamente duas semanas, conseguimos colocar ele em pé. E ele andou alguns passos”, explica o fisioterapeuta Hudson Azevedo Pinheiro.
A equipe registrou o momento no último dia 25 e já prepara o uso de talas para auxiliar na locomoção. Dessa forma, a cada sessão de fisioterapia, Adriano conquista novos avanços.
Esperança no presente
A equipe médica ainda não consegue prever até onde Adriano vai chegar na recuperação, se voltará a andar com autonomia, dirigir ou até jogar bola com o filho. No entanto, ele já alcançou o mais importante. Adriano está em casa. Está vivo. E está ao lado da família.
*Com informações da SES-DF.
Por: Rafaella Iack.
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