Operação Desmonte: PCDF desarticula esquema de desmanche e venda de peças de veículos roubados no DF
Nesta terça-feira (28), a Polícia Civil do Distrito Federal, por intermédio da Divisão de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (DRFV), vinculada à Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (CORPATRI), realizou a Operação Desmonte, com o objetivo de desarticular uma associação criminosa estruturada e voltada à prática de receptação qualificada de veículos automotores oriundos de furtos e roubos ocorridos no Distrito Federal e no Estado de Goiás.
Nesse sentido, a ação policial resultou no cumprimento de sete mandados de busca e apreensão nas regiões administrativas de Taguatinga e Ceilândia, tendo como alvos estabelecimentos comerciais do ramo automotivo que, sob aparência de legalidade, eram utilizados como pontos de recepção, ocultação e comercialização de peças provenientes de veículos subtraídos.
Dessa forma, ao todo, dez indivíduos foram indiciados, todos diretamente vinculados à administração ou propriedade de empresas atuantes no comércio de peças, acessórios e componentes automotivos. Conforme apurado, eles integravam a engrenagem criminosa responsável pelo escoamento de produtos ilícitos. Durante o cumprimento das medidas judiciais, a operação também resultou na prisão em flagrante de dois homens responsáveis por estabelecimentos investigados. Ambos já possuem antecedentes criminais relacionados a delitos envolvendo veículos automotores, circunstância que reforça os indícios de reiteração delitiva e habitualidade criminosa.
Além disso, a operação contou com o apoio técnico de empresa especializada em diagnóstico inteligente veicular.
Contextualização do esquema criminoso
A princípio, a investigação teve início em 8 de agosto de 2024, a partir da localização, na região de Ceilândia, de um imóvel utilizado como depósito clandestino e centro estruturado para o desmanche de veículos automotores de origem ilícita.
No local, após a realização de exames periciais minuciosos, foram identificadas diversas peças automotivas vinculadas a, pelo menos, 17 veículos com registro de furto ou roubo ocorridos entre os anos de 2024 e 2025. Assim, tal circunstância evidenciou a atuação sistemática, reiterada e profissionalizada do grupo criminoso investigado.
Durante a investigação, mostrou-se a existência de uma estrutura criminosa organizada, dotada de estabilidade, permanência e divisão funcional de tarefas, características típicas de associações voltadas à prática de delitos patrimoniais complexos. Desse modo, verificou-se que a engrenagem delitiva era composta por múltiplos núcleos de atuação. Portanto, cada qual desempenhando papel específico na cadeia criminosa.
Inicialmente, identificou-se o núcleo responsável pela subtração dos veículos, incumbido da prática de furtos e roubos, frequentemente mediante emprego de violência ou grave ameaça. Na sequência, atuava o núcleo de recepção e ocultação, encarregado de armazenar os veículos em galpões, oficinas e outros locais clandestinos, garantindo sua ocultação e dificultando a ação estatal.
Dessa maneira, paralelamente, operava o núcleo de adulteração. Este, responsável pela modificação dos sinais identificadores dos veículos, com o objetivo de inviabilizar sua rastreabilidade e vinculação aos crimes antecedentes. Superada essa etapa, os automóveis eram encaminhados ao núcleo de desmanche, onde eram integralmente desmontados, com a separação de peças, componentes e acessórios.
Por fim, constatou-se a atuação do núcleo de comercialização, responsável pela inserção das peças oriundas do desmonte no mercado ilícito, tanto por meio de estabelecimentos físicos quanto por intermédio de plataformas digitais, conferindo aparência de legalidade à atividade criminosa e assegurando a obtenção de vantagem econômica indevida.
Dinâmica da cadeia criminosa
O modelo operacional identificado demonstra elevado grau de organização e sofisticação. Após os furtos, os envolvidos encaminhavam rapidamente os veículos para locais seguros, onde realizavam os processos iniciais de adulteração. Logo em seguida, levavam os automóveis para oficinas clandestinas, onde faziam a desmontagem integral.
Com isso, os envolvidos distribuíam as peças para estabelecimentos comerciais que atuavam como fachada legal e as revendiam como se fossem de origem lícita. Também por meio de plataformas de comércio eletrônico, o que ampliava o alcance da atividade criminosa.
Além disso, a investigação identificou que parte dos envolvidos mantinha interações com indivíduos diretamente ligados à prática de furtos e roubos, evidenciando a integração entre diferentes etapas da cadeia delitiva.
Impacto e relevância da operação
Em síntese, a Operação Desmonte representa importante avanço no enfrentamento qualificado aos crimes patrimoniais envolvendo veículos automotores, especialmente no que diz respeito à repressão das etapas posteriores à subtração, essenciais para a manutenção da atividade criminosa.
Assim, ao atingir diretamente o núcleo responsável pela receptação e comercialização, a ação policial compromete a viabilidade econômica do crime, reduzindo a demanda por veículos furtados ou roubados.
A desarticulação desse tipo de estrutura impacta todo esquema criminoso. Uma vez que, sem mercado consumidor para peças ilícitas, há redução direta nos índices de furtos e roubos de veículos.
Logo, as investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros integrantes da organização criminosa, especialmente aqueles responsáveis pela execução direta dos crimes de subtração. Além de aprofundar a responsabilização penal dos envolvidos já identificados.
Por fim, a Polícia Civil do Distrito Federal reafirma seu compromisso institucional com a repressão qualificada aos crimes patrimoniais. E destaca a importância da integração entre inteligência policial, tecnologia e investigação financeira no combate às organizações criminosas.
*Com informações da PCDF.
Por: Maria Luiza Couto.
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